07.06.2006
Ceará investe na vocação de exportar

As exportações cearenses em 2003 registraram o primeiro superávit em dez anos e a tendência se confirma com os resultados obtidos nos primeiros quatro meses de 2004. Mas a participação do Estado nas vendas de todo o País ainda é pequena: pouco mais de 1%.


Empresas de menor porte, como a fábrica de chinelos Didarly, contribuíram para o crescimento das exportações.

O Ceará está, aos poucos, fazendo a sua abertura de portos para o mundo. E a boa notícia é de que, do ano passado até o último fechamento da balança comercial de 2004, no mês passado, o saldo tem sido favorável para o Estado. O volume de exportações superou o de importações. Em 2003, um montante de vendas de US$ 760,9 milhões (39,9% maior que o de 2002) garantiu um saldo positivo de aproximadamente US$ 220 milhões em relação ao ano anterior. E a expectativa para 2004 é de um crescimento de 20%, chegando a um total de mais US$ 900 milhões. De janeiro a abril, o saldo já chega a mais US$ 105 milhões, comparando com o mesmo período do ano passado.

Vale ressaltar que o quadro, até 2002, não era muito animador e foram registrados déficits sucessivos na balança comercial (veja quadro). Qual a razão, então, para essa mudança? Na opinião de Eduardo Bezerra, superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN), órgão da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), existem alguns fatores que podem explicar o saldo positivo da balança comercial.

O primeiro, segundo ele, é a consolidação de um parque industrial no Estado cuja vocação inicial já era para a exportação. ''Houve uma orientação da economia cearense de atuar fortemente no mercado externo. Foi uma opção da indústria de transformação'', afirma. Ele também destaca o aumento da participação dos pequenos empresários nas vendas externas. ''Houve uma mudança de cultura do empresariado pequeno, que achava que exportar era só coisa de grandes'', diz.

O secretário do Desenvolvimento Econômico, Régis Dias, acrescenta que a instalação das indústrias mudou a pauta de exportações. ''Há 15 anos, a pauta era basicamente extrativista-vegetal'', diz. Hoje, de acordo com ele, produtos como calçados, têxteis, confecções e até equipamentos metal-mecânicos têm mais valor agregado, ajudando a aumentar o montante das vendas externas.

Entre as empresas citadas por Eduardo Bezerra, que se instalaram no Ceará com a previsão de exportar parte de sua produção, está a fabricante de calçados Grendene. Segundo o gerente administrativo e financeiro Emílio Morais, 20% do total fabricado destina-se a vendas para mais de 60 países, principalmente do Mercosul e da Europa. Com aproximadamente 19 mil funcionários trabalhando nas filiais de Sobral, Fortaleza e Crato, a empresa mudou todas as suas instalações do Rio Grande do Sul para cá e começou a exportar no fim de 1996, quando consolidou sua permanência no Ceará.

Os números animadores da exportação cearense, entretanto, não minimizam um problema detectado quando se compara a participação do Estado nas vendas externas do País: o índice é de pouco mais de 1%. ''É um percentual pequeno. Mas é preciso considerar que, ainda assim, o Estado é o terceiro colocado do Nordeste. E a região não tem tradição como exportadora'', lembra o diretor geral do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Marcos Holanda.

Contando com o potencial existente, a meta para o Estado, segundo a Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), é um crescimento de 20% ao ano nas exportações. Mas os resultados até agora têm sido mais favoráveis do que o esperado. Entre janeiro e abril, o aumento de 2004 já chega a mais de 25%, comparando com o mesmo período de 2003.




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